Review: Reino da Muralha I

Reino da Muralha I
Reino da Muralha I by Robert Silverberg
My rating: 5 of 5 stars

Esta história é outra poderosa reflexão de Robert Silverberg, publicada em 1992, sobre a natureza humana e a importância de determinação de cada ser humano em perseguir os seus sonhos para alcançar o conhecimento sobre o sentido e objectivo da sua existência como indivíduo. Em paralelo, dá-nos uma nova oportunidade para reflectir sobre a sensação vivida por quem encara a Religião, e a Fé na (em) divindade(s), como a resposta sobrenatural para todos os eventos, bons e maus, que ocorrem na vida de cada pessoa em detrimento da respectiva responsabilidade na sua ocorrência, bem como a decepção que tal pessoa vem a sentir no momento em que se apercebe da fragilidade lógica da Religião quando confrontada com um conhecimento da origem real dos mitos que suportam as histórias sagradas, os rituais, os actos simbólicos e os dogmas dessa religião. Nesta perspectiva, este livro é simultaneamente uma história da auto-descoberta e da tomada de consciência da responsabilidade trazida pela acumulação de conhecimento. Noutra perspectiva mais dinâmica, esta é igualmente uma história sobre a construção e evolução da amizade entre seres da mesma espécie que são confrontados com poblemas comuns e que os vencem mais facilmente quando os encaram numa perspectiva de colaboração e cooperação.

De facto, Reino da Muralha conta-nos, de uma forma autobiográfica, a história da vida de Poilar Crookleg, um ser extraterrestre, habitante da cidade de Jespodar, situada na base de uma enorme montanha (a muralha) – Kosa Saag – existente neste planeta do sistema solar da estrela Ekmelius, que inicialmente acreditava de uma forma literal, e tomando como verdade absoluta, em todas as divindades e objectivos de vida preconizados pela cultura em que nasceu e se desenvolveu até à idade adulta. A partir daqui, a história centra-se na evolução psicológica do protagonista e nas transformações psicológicas que vai sofrendo à medida que vai escalando a muralha, atravessando sucessivos reinos e sendo confrontado com problemas de complexidade crescente até ao dilema final com que é confrontado no vértice.

Confesso que gostei muito de ler este livro, e entendo que, mais uma vez, Silverberg, como autor prolífico que é, nos brinda com reflexões que vão bastante mais além da mera narrativa principal que serve de fio condutor para a história. Por isso, após a leitura do livro, é igualmente interessante revisitar a história e reflectir de uma forma pessoal em algumas metáforas introduzidas por Silverberg, tais como: Qual será o “vértice” da nossa muralha? Que tipo de “reinos” teremos que atravessar na nossa caminhada? E finalmente, que tipo de reino seria capaz de nos distrair do nosso objectivo inicial e levar-nos a desistir e acomodar-nos?

Este é pois outro livro que aconselho a todos os leitores que gostam de boa Ficção (Científica).

Este primeiro volume leva-nos até ao final do capítulo XIV. O segundo volume inicia-se no capítulo XV e conduz-nos ao desfecho da narrativa.

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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