Review: Canções da Terra Distante

Canções da Terra Distante
Canções da Terra Distante by Arthur C. Clarke
My rating: 5 of 5 stars

Fabuloso! Adorei esta história: a aventura mais épica de todas contada com o rigor científico a que Arthur C. Clarke nos habituou. Este é daqueles livros luminosos que nos agarram na primeira página e nos deliciam continuamente até ao final; é uma história absolutamente fascinante de Arthur C. Clarke que nos transporta para uma era futura de esplendorosa exploração do universo pela raça humana e de colonização de outros planetas por intermédio de naves que transportam as sementes da humanidade a partir das quais novas civilizações humanas podem desenvolver-se noutros planetas. Passando-se no ano de 3600, num momento em que o sol passa a supernova e é necessário evacuar o planeta Terra para salvar a espécie humana, e sendo um livro de pura Ficção Científica, incluindo naves, planetas, viagens espaciais e artefactos tecnológicos, é igualmente uma história sobre a ingenuidade da espécie humana que descreve um futuro optimista em que os seres humanos evoluem no sentido de possuírem uma vida mais simples, mais ligada à natureza, e mais colectiva no sentido de menos individualista, e na qual foram ultrapassados alguns dos defeitos de personalidade que caracterizam o ser humano, tais como a inveja e o ciúme em prol da amizade (amor) pelo ser semelhante. É igualmente um elogio à arte criada pelo génio humano nas suas variadas modalidades (música, pintura, escrita). Esta narrativa permite-nos confrontar as personalidades de personagens humanos que, sendo fruto de uma evolução paralela e distinta em dois planetas diferentes (a Terra e Thalassa) se encontram por obra do destino tornando-se necessário que ultrapassem as suas diferenças e cooperem para o bem comum, revelando deste modo o denominador comum que é partilhado por todos os seres humanos e que nos é gradualmente revelado pelo autor. É particularmente interessante o confronto das personalidades e modos de encarar a vida de Mirissa versus Kaldor e de Brant versus Loren. É igualmente interessante reflectir sobre um conjunto de questões relacionadas com a essência do ser humano e a religião que estes personagens discutem entre si ou com as quais são confrontados. Por exemplo, será que o luto (ou mesmo o sofrimento associado à perda) desempenha uma função biológica importante para os seres humanos? É possível construir uma cultura racional e humana completamente livre da ameaça das restrições sobrenaturais? Estará a raça humana a ser esmagada pela informação que gera; e não inibirá antes o crescimento cultural e científico?
Por outro lado, a nave Magalhães, homónima do grande navegador Português, é nesta história um símbolo da intrepidez que caracteriza a espécie humana, sempre em busca de novos caminhos e, no fundo, da conquista do conhecimento mais importante de todos: o conhecimento de si próprio! Finalmente, o livro reflecte sobre a possibilidade de coexistência de duas espécies inteligentes, A leitura do livro é uma experiência que pode ainda ser tornada mais absorvente, única se deliciosa e acompanhada pela audição simultânea do álbum de 1995 de Mike Oldfield, uma peça musical de rock progressivo com o título homónimo do livro que foi composta por Oldfield para os grandes momentos da história imaginada por Arthur C. Clarke e narrada neste livro. Este álbum pode ser ouvido na íntegra aqui:
Em suma, é um livro muito bom: uma história épica, emocionante e única, brilhantemente narrada. Revelou-se um livro espantoso e um sério candidato ao melhor livro que já li de Arthur C. Clarke e também do género da FC! Não podia aconselhar este livro com mais veemência a todos os leitores, mesmo aqueles que normalmente não se interessam por Ficção Científica.

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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