Os Riscos da Internet para os adolescentes. Como proteger os adolescentes online? (Parte 5 de 5)

Hoje em dia os adolescentes comunicam com outros adolescentes, e com o resto do mundo, através das tecnologias digitais, a uma escala nunca antes observada em qualquer uma das gerações anteriores. Na verdade, os sites de redes sociais tais como o Facebook ou o MySpace e as aplicações de as mensagens instantâneas ultrapassaram já o correio eletrónico como o método preferido de comunicação em todos os grupos etários. Para além disso, os adolescentes de hoje possuem um conhecimento mais profundo sobre as várias formas de utilizar as tecnologias digitais do que a generalidade dos pais ou educadores: utilizam a Internet para efetuarem pesquisas para trabalhos da escola, mas também fazem downloads de música e vídeos, jogam jogos online e comentam e acompanham as suas celebridades preferidas em redes sociais. Mas falta aos adolescentes a maturidade e a experiência de vida dos adultos para saber reconhecer e evitar situações que ocorrem naturalmente em redes sociais e que os podem colocar rapidamente em risco, tais como divulgar abertamente informação pessoal, incluindo fotografias e vídeos de si próprio e da sua família, e escrever comentários ou afirmações que muitas vezes nem sequer são ponderados. É importante compreender que a rapidez com que hoje em dia é possível colocar a informação online não significa que é necessário escrever, comentar e partilhar com rapidez e a toda a hora para se ser respeitado ou considerado pelos outros.

Por isso, é extremamente importante que as pessoas tenham a noção que as tecnologias existem e que não vão desaparecer, e que os seus filhos adolescentes vão continuar a utilizá-las cada vez mais. A atitude correta dos adultos para proteger os adolescentes online não passa pois por proibir o uso da Internet ou das redes sociais, mas, antes pelo contrário, devem fazer um esforço por atualizar os seus conhecimentos e participar ativamente nas redes sociais. O primeiro passo consiste em registar-se na rede social em que os seus filhos possuem uma conta e criar um perfil pessoal, mesmo que não veja imediatamente qual será a utilidade que isto poderá ter. A seguir, acrescente os seus filhos adolescentes aos seus contactos, dando-lhes a entender que compreende as tecnologias que eles utilizam para comunicar com os amigos e que reconhece a sua utilidade, mas que ao mesmo tempo está ali presente para monitorizar e comentar a atividade do adolescente online.

Há igualmente outras atitudes que devem ser tomadas para proteger os adolescentes. Por exemplo, é importante conversar com os filhos sobre os seus amigos e as suas atividades online tal como o faz em relação às outras atividades diárias. É importante explicar-lhes que todos os conteúdos e comentários que são colocados online ficam imediatamente visíveis para todo o mundo, e que, uma vez publicados, só muito dificilmente irão desaparecer por completo: chama-se a isto a “pegada digital”. O que isto significa é que passa a existir um registo da nossa atividade online que pode ser consultado livremente por toda e qualquer pessoa, agora ou no futuro. Por outro lado, deve-se ensinar a nunca revelar informações pessoais quando se preenchem formulários de registo ou quando se participa em concursos, ou votações, em redes sociais. Finalmente, deve-se explicar que as pessoas mentem quando estão online porque a tecnologia lhes permite fazerem-se passar por outras pessoas. Por isso, é da maior importância esclarecer os adolescentes que nunca devem aceitar marcar encontros pessoais com alguém que apenas conheceram numa rede social ou em conversas em salas de chat ou em serviços de mensagens instantâneas. Para saber mais sobre as formas corretas de proteger os adolescentes online aconselha-se a consulta do site SeguraNet (www.seguranet.pt), uma iniciativa da UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento do ministério da educação e Ciência e outras organizações.

Por Nuno Magalhães Ribeiro, Professor Universitário e Especialista em Engenharia Informática.

Texto originalmente publicado no Semanário Grande Porto de 06.05.2012, coluna Vida & Sociedade.

Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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