Os Riscos da Internet para os adolescentes. Navegação e Aplicações. (Parte 4 de 5)

Na sequência dos artigos anteriores em que analisamos os riscos a que estão expostas as crianças e adolescentes na Internet, continuamos agora com a análise de algumas atitudes que podem ajudar a prevenir a ocorrência de situações de risco.

Existem vários procedimentos que podem ser postos em prática por pais ou encarregados de educação de modo a proteger ativamente os respetivos filhos dos perigos da Internet. Em primeiro lugar, é essencial que exista diálogo. Ainda que por vezes possa ser difícil conversar com um adolescente sobre a respetiva atividade na Internet, este diálogo é indispensável para educar os adolescentes, e alertá-los para os perigos que naturalmente ignoram. Este diálogo pode ser aproveitado para explicar claramente que o adulto não pretende invadir a privacidade do adolescente, mas sim ajudá-lo a compreender o tipo de informação que pode ser disponibilizada online bem como aquela informação pessoal que não deve nunca ser exposta em redes sociais, blogs ou salas de conversa (chat rooms) sob pena de poder ser observada por pessoas mal-intencionadas. Para além disso, é igualmente importante esclarecer desde logo a quem o adolescente deve comunicar qualquer problema, no caso de se sentir molestado ou abusado online.

Por outro lado, existem igualmente aplicações de software, muitas delas disponíveis gratuitamente, que podem ajudar os pais a monitorizar a atividade dos adolescentes na Internet. Em primeiro lugar, o computador do adolescente deve sempre ser configurado com uma conta para seu uso próprio e outra conta de administração para o encarregado de educação. Deve pois ser da responsabilidade do adulto a administração do computador, nomeadamente a criação de outras contas de utilizador nesse computador ou mesmo numa rede local de computadores, muito vulgar nos dias que correm. O adulto pode, em seguida, instalar, por exemplo, um pacote de software de controlo parental que permite: controlar quem utiliza o computador, bem como registar e controlar a duração das sessões de utilização da Internet naquele computador; bloquear o acesso a certos sítios Web que disponibilizam conteúdos considerados desapropriados e registar os sítios Web que foram visitados; monitorizar o texto que é escrito em redes sociais, blogs, ferramentas de mensagens instantâneas ou em salas de conversação. Alguns destes programas permitem até a visualização remota da atividade no computador, isto é, o adulto pode monitorizar em tempo real do seu próprio computador, mesmo quando está fora de casa, aquilo que o adolescente está a fazer no seu computador pessoal: que aplicações estão a usar, que sítios Web estão a visitar e que informação está a colocar online ou a escrever através do teclado. Exemplos de tais aplicações, disponíveis gratuitamente, incluem: o OnlineFamily.Norton, o Windows Live Family Safety, o KidZui, este mais adequado à proteção de crianças do que de adolescentes, o K9 Web Protection e o Parental Control Bar.

É claro que a redução dos riscos associados à atividade online podem ser grandemente reduzidos desde que se imponham limites razoáveis ao tempo de utilização do computador para navegar na Web. A melhor forma será identificar e adotar um conjunto de regras, explicá-las ao adolescente e, a seguir, aplicá-las sem exceções, de forma a educar o adolescente para uma utilização racional da Internet. Para além do tempo de utilização, existem outras regras que podem ser desde logo adotadas tais como não permitir a utilização de webcams quando está sozinho no quarto, apenas poderá usá-la quando se encontra numa divisão comum da habitação, como a sala de estar, sempre na presença de adultos. É naturalmente importante que exista o respeito pela privacidade do adolescente, mas é igualmente importante que se respeitem as regras de segurança.

Por Nuno Magalhães Ribeiro, Professor Universitário e Especialista em Engenharia Informática.

Texto originalmente publicado no Semanário Grande Porto de 17.12.2010, coluna Vida & Sociedade.

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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