Quais são os principais desafios colocados às universidades ao nível da formação neste momento de crise económica?

A minha perspetiva é que as crises económicas oferecem, antes de mais, oportunidades para a mudança. Entendo que, neste momento em que o País vive uma grave crise económica, com níveis de desemprego alarmantes, realça-se a nossa responsabilidade social que passa por desenvolver e oferecer cursos de formação pós-secundária e profissionalizante, ou formação superior de 2º ciclo e pós-graduada, na área das TICs, que permitam aos nossos alunos desenvolver sólidas competências profissionais, especializando-se em áreas críticas para as empresas, e assegurar assim a respetiva empregabilidade. Para além disso, interessa-nos sobretudo contribuir para o desenvolvimento económico em Portugal, promovendo junto dos nossos alunos a consciência da importância de desenvolverem os seus próprios projetos empresariais e criarem os seus próprios empregos no final do curso, através de processos de inovação e empreendedorismo, pelos quais os alunos desenvolvem novas empresas recorrendo à sua criatividade e aos sólidos conhecimentos que adquiriram durante o curso que frequentaram na UFP. Do mesmo modo, interessa-nos igualmente contribuir para um aumento da introdução de tecnologias de informação nas PMEs Portuguesas, aumentando assim a respetiva produtividade, qualidade de produção e potencial para exportar bens e serviços.

Neste contexto, o maior desafio que se coloca à Universidade é o de motivar os alunos para prosseguirem os seus estudos no 2º ciclo (Mestrado), que é o único modo de obterem as competências e especialização necessárias. Assim, os desafios concretos que se colocam à Universidade envolvem, antes de mais, (i) a atualização contínua dos planos curriculares dos cursos de formação graduada e pós-graduada, (ii) a atenção particular a, e o desenvolvimento do diálogo com, os nossos interlocutores privilegiados – empresas com quem temos parcerias, os nossos próprios alunos e outras universidades parceiras, e (iii) a criação de novas ofertas formativas que possuam potencialidades reais de contribuírem para um aumento da atividade empresarial e criadora de emprego no país, sobretudo nas áreas da aplicação da inovação tecnológica ao setor dos serviços.

É certo que vivemos atualmente tempos conturbados e assombrados pela incerteza, mas acreditamos que o trabalho sério, honesto e incansável que desenvolvemos principalmente com, e para, os nossos alunos, nos permitirá contribuir para ultrapassar rapidamente este momento menos bom e encarar o nosso futuro comum com muito otimismo.

Por Nuno Magalhães Ribeiro, Professor Universitário e Coordenador da Área Científica de Informática (ACI) da Faculdade de Ciência e Tecnologia da UFP

Este texto faz parte de uma entrevista concedida à revista Semana Informática nº 1071 de 01 a 07 de Junho de 2012, publicada no âmbito do artigo “O que mudou no ensino das TIC com a Troika“,  cujo texto integral pode ser consultado aqui e descarregado aqui.

Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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