Review: A Idade de Ouro

A Idade de Ouro
A Idade de Ouro by John C. Wright
My rating: 5 of 5 stars

Este excelente livro é o 1º volume de uma trilogia escrita por John C. Wright que nos apresenta uma visão da evolução da sociedade humana nos próximos dez mil anos. O livro tem um dos inícios mais complexos que já li, mas deixa desde logo antever uma história futurista, com a referência a variadas tecnologias avançadas e recheada de visões sobre a evolução da espécie humana. A confusão inicial advém sobretudo da dificuldade em perceber a relação entre dois acontecimentos que nos são relatados em simultâneo, juntamente com a referência a tecnologias, vivências e experiências de tal modo futuristas que é difícil para o leitor relacionar tais conceitos com as experiências quotidianas. No entanto, vale mesmo a pena perseverar, já que a partir da página 96 (Capítulo 6), desfaz-se a confusão inicial, à medida que tudo começa a fazer sentido (sofotecs, adamântio, filtros sensoriais, pseudomatéria e matrizes cerebrais são algumas das tecnologias usadas por neuroformas base, não-padrão e cerebelinas, entre outras). A partir deste ponto, a história prende-nos de tal modo que é impossível parar de ler. O drama relatado neste 1º volume centra-se em torno de Faetonte, um ser humano imortal (é muito interessante a noção de imortalidade que nos é apresentada por John C. Wright) que perdeu parte das suas memórias episódicas, abrangendo um grande período de tempo para o qual desapareceram, inexplicavelmente, todas as suas reminiscências. À medida que Faetonte vai diligenciando para recuperar a memória dessa parte da sua vida, o autor apresenta-nos uma sociedade (Ecúmena Dourada) humana que conquistou já o domínio do sistema solar e o explora em seu benefício, delegando as tarefas rotineiras em seres vivos robóticos dotados de inteligência artificial (igualmente interessante é a noção de ser vivo que é introduzida por John C. Wright). A par do drama vivido por Faetonte, o autor conduz-nos de uma forma muito inteligente a autênticas reflexões filosóficas sobre o papel que a tecnologia pode desempenhar na evolução do ser humano, o tipo de sociedade a que pode conduzir, e os respetivos perigos. Em minha opinião, trata-se de um dos melhores livros de Ficção Científica que já li, ao nível do melhor de Arthur C. Clarke e Isaac Asimov. Imaginativo, bem escrito, bem traduzido e muito profundo, este livro cumpre na íntegra a promessa de uma história de Ficção Científica com todos os ingredientes que proporcionam muitas horas de leitura prazenteira. O final desperta de imediato a vontade de ler o 2º volume e, para mim, será um dos livros a reler mais tarde para recuperar e reflectir mais longamente sobre as perspectivas que o autor desenvolve para o futuro da humanidade. Definitivamente aconselhado a todos os aficionados do melhor que a Ficção Científica tem para oferecer.

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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