Review: Paraíso Virtual

Paraíso Virtual
Paraíso Virtual by Nick Sagan
My rating: 4 of 5 stars

Este livro de Nick Sagan continua a história desenvolvida em Ameaça Virtual, e desenrola-se 18 anos volvidos sobre os acontecimentos finais do primeiro livro, num cenário pós-apocalíptico causado por um vírus mortal que aniquilou a espécie humana, à excepção das personagens desta história. Neste segundo volume, o autor modifica a estrutura narrativa que adoptara em Ameaça Virtual, e passa a contar a história do ponto de vista dos vários intervenientes. O leitor rapidamente se apercebe que esta é uma das grandes mais-valias do livro, e que prende a atenção, uma vez que permite ilustrar de uma forma muito vincada o que de melhor e pior existe na personalidade das personagens, permitindo, em simultâneo, ilustrar muitas das virtudes e dos defeitos da espécie humana.

Continuando a recorrer a conceitos de realidade virtual imersiva, a história neste livro é, no entanto, muito menos voltada para tecnologias e muito mais virada para a vida interior das pessoas, para as respetivas emoções e para auto-reflexões das personagens sobre os seus atos. No início não se vislumbra muito bem qual é o fio condutor da história, mas o verdadeiro drama acaba por nos ser revelado aos poucos, à medida que vamos lendo os acontecimentos pela perspetiva dos vários intervenientes. É um livro que retrata duas gerações da vida após o apocalipse da espécie: a geração dos pais que viveram o apocalipse e a geração dos respetivos filhos que nasceu num mundo estranho, onde a própria definição de ser humano é posta em causa.

No 1º livro, o autor desenvolve um thriller que envolve a investigação de um crime, ao passo que aqui o autor nos apresenta um drama psicológico. Neste livro, gostei em particular de algumas reflexões que nos são oferecidas no que diz respeito à tradicional dicotomia ciência-religião, sendo defendida de uma forma bem vincada a importância da ciência no desenvolvimento da espécie humana, por oposição à religião que é encarada como um obstáculo e tratada de forma instrumental. Tendo a concordar com esta perspetiva, não sendo de admirar que ela seja aqui apresentada e defendida. Igualmente interessante, é a oportunidade que nos é dada de reflectir sobre a própria existência humana, incluindo a sua fragilidade e a sua grandeza que nos é revelada pelo poder que uma relação entre pais e filhos, ainda que não geneticamente aparentados, tem para modificar por completo muitos aspectos da personalidade de uma pessoa.

Ao longo do livro existem vários momentos em que as reflexões se sucedem com alguma profundidade. Destaco por exemplo as seguintes citações “A religião provoca um tipo de dado mental! Não somos anjos caídos! […] Queres uma palavra? Experimenta “evolução”, “Aceleração”. “Entropia”. “Imortalidade”. Porque rezar a Deus se nos podemos tornar deuses?[…] Até podemos tornar-nos a própria Natureza!.

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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