Review: O Silo (Silo, #1)

O Silo (Silo, #1)
O Silo (Silo, #1) by Hugh Howey
My rating: 5 of 5 stars

Este é um daqueles livros que marcam – o autor imaginou uma história muito original que despertou o meu interesse logo desde o início e vai desenvolvendo a narrativa, desvendando pormenores e aumentando o suspense à medida que, em cada capítulo, nos relata a história vista pelo personagem que protagoniza esse capítulo. O livro está muito bem escrito e também bem traduzido (apenas deparei com uma ou duas situações em que a palavra mais adequada em Português não foi a utilizada, transparecendo a tradução literal do conceito em Inglês). A estrutura do livro está de facto bem construída, já que à medida que a narrativa vai avançando, são-nos apresentadas pequenas revelações, algumas antecipadas, mas outras totalmente inesperadas, o que aumenta o prazer da leitura, estimula para continuar a ler e não nos deixa parar de ler. E à medida que se avança, a forma como os pormenores são revelados permite-nos construir uma imagem mental dos locais e dos personagens que é quase cinematográfica.

Gostei da forma dinâmica como os personagens ganharam vida ao longo das páginas do livro, em constante evolução à medida que os acontecimentos se desenrolam, e também da forma como o contexto em que a história decorre nos apresentar situações verosímeis, caso estes acontecimentos se vierem a verificar na realidade. A sociedade pós-apocalíptica que nos é brutalmente exposta nos primeiros capítulos é, mais tarde, justificada e explicada, e não difere muito das sociedades atuais em que a maioria das pessoas são controladas e manipuladas sem disso se aperceberem, por um conjunto limitado de pessoas que detêm o conhecimento da verdadeira realidade. O que é inovador neste livro é o contexto em que as noções de poder, controlo, coragem, amizade e amor são desenvolvidas. Deste ponto de vista, o livro permite-nos fazer reflexões muito interessantes que se prolongam no tempo, mesmo depois de termos terminado a leitura, já que a história permanece viva na nossa imaginação. Por exemplo, gostei, em particular, de uma atitude tomada por uma personagem, que nos assegura que a força de carácter dos seres humanos pode ser mantida, mesmo em condições extremamente adversas e desesperantes, em que ninguém estranharia que as pessoas simplesmente desistissem de lutar. A vontade de alterar a realidade, construir um Silo (mundo) diferente, baseado no conhecimento e não no ocultismo, baseado na capacitação das pessoas e não na respetiva manipulação, e ainda baseado na vontade coletiva em detrimento das motivações de elites dá-nos, na verdade, muito que pensar.

No último capítulo do livro são-nos apresentadas revelações, quer de ordem histórica, quer de possibilidades para o futuro das personagens, que me despertaram a curiosidade para ler os dois livros restantes da trilogia: “Shift” (o segundo livro que se trata de uma prequela que desvenda a forma como o Silo veio a existir) e “Dust” (o terceiro livro que desenvolve a narrativa a partir do ponto em que terminou neste primeiro livro).

Em suma, trata-se de um livro que se lê com avidez e que nos apresenta material suficiente para longas horas de reflexão sobre a nossa própria condição humana. Por tudo isto, considero que é uma leitura obrigatória para todos os fãs de ficção científica distópica, mas também aconselhado para todas as pessoas que gostam de ler um bom livro.

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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