Review: Fahrenheit 451

Fahrenheit 451
Fahrenheit 451 by Ray Bradbury
My rating: 5 of 5 stars

Este clássico de Ray Bradbury espantou-me, desde logo, pela sua atualidade. Trata-se de uma história que descreve a transformação operada num homem pelo esclarecimento. Montage era um homem que queimava livros, e o conhecimento que encerravam; vê-se subitamente confrontado com dúvidas, desde as inquietações suscitadas inicialmente por uma pessoa que lia, a seguir pela vida fútil e vazia que levava, logo depois pelas palavras que lia nos livros que salvava do esquecimento e, finalmente, por homens que, como ele, se aventuraram a desafiar a bestialidade.

Ray Bradbury desconstrói e expõe nesta narrativa as características de uma sociedade materialista, embrutecida, controlada, corrompida e ignorante, em que as pessoas vivem para a diversão, para o entretnimento, e, literalmente, queimam a substância. Inicialmente alguém inquieta Montag ao dizer-lhe que raramente via televisão ou ía a parques de diversão, “por isso tenho muito tempo para pensar em ideias esquisitas”, afirmou Clarisse. mais tarde, Montag, numa epifania, dá conta que ele próprio “usava a felicidade como uma máscara e a rapariga tinha fugido através do jardim com a sua máscara”. E então, este homem apercebe-se que “Não sei nada, nada de coisa nenhuma” e que as máquinas desenvolvidas para controlar as pessoas “não gostam nem detestam ninguém. Funcionamm e é tudo”. Mais tarde, descobre que não há nada de social “em pôr uma quantidade de pessoas juntas para as impedir de falar”, ou quando falam, “dizem todos as mesmas coisas e ninguém tem nunca uma opinião diferente”. E é então que, nesta sua vida vazia e reduzida a cinzas, “um livro tomba suavemente, como um pombo branco, nas suas mãos, as asas palpitantes. Na penumbra, uma página se abriu, como uma pluma de neve, as palavras delicadamente traçadas na superfície brance”. E Montag abre os seus olhos e começa a sentir “o livro apertado contra o peito, batendo como um coração”, sentindo “subitamente que o mais importante da sua existência era saber onde tinha encontrado a sua mulher”, porque até disso se tinha esquecido à medida que queimava, lentamente, os livros e os sentimentos. Mas Montag nunca queimava tudo, roubava e escondia um livro em cada ocasião, e agora, olhando novamente para esse livros que salvara das chamas reconhecia que “atrás de cada um desses livros estava um homem […] que os tinha concebido […] qur tinha passado o seu tempo a escrevê-los”. E nesse momento apercebe-se que “vive no imediato. Apensa conta o trabalho e, após o trabalho, a dificuldade da escolha de uma distração. Para quê aprender qualquer coisa, além de carregar em botões, ligar interruptores, enroscar parafusos e porcas?” E assim reconhece que “o homem não tem tempo para reflectir nem para vestir, de manhã. Não há hora de filosofia, nem hora de melancolia […] Devemos ser todos parecidos uns com os outros […] Conclusão: agarremo-nos a tudo o que não obrigue senão a relexos automáticos”.

Depois de arrasar, Ray Bradbury aponta, a seguir, um caminho verdadeiramente revolucionário: “Temos tudo o que é prciso para sermos felizes, mas não somos felizes. Falta qualquer coisa. Olhei em volta e os únicos objetos cuja desaparição me pareceu certa, foram os livros que tenho queimado […] Pensei então que os livros poderiam ser de grande auxílio […] A magia apenas repousa no que dizem os livros, na rede de elementos do universo que eles tecem para nos vestir” o espírito. E Montag apercebe-se que “todos os meus atos estavam em contradição com os meu pensamentos”. E a partir daí, decide romper com o passado porque “Todos devemos deixar qualquer coisa atrás de nós, ao morrermos. Um filho, um quadro, um livro…”

Este é um livro que se lê com deleite e espanto, e faz-nos querer adquirir e preservar, em nós, mais conhecimento, torná-lo tão vivo quanto nós o estamos, e guardá-lo para o transmitir no momento certo – acima de tudo, este livro faz-nos querer ler mais um livro a seguir a outro! Aconselho vivamente a todos aqueles que gostam de livros. E “se nos perguntarem o que fazemos, podemos responder: Nós lembramo-nos”!

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Sobre Nuno Magalhães Ribeiro

Professor Universitário e Autor especialista em Engenharia Informática.
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